26 de mar de 2009

Babilônia



A cidade de Babilónia, que teve um papel significativo na história da Mesopotâmia, foi provavelmente fundada por volta de 3800 a.C.. O povo babilônico era muito avançado para a sua época, demonstrando grandes conhecimentos em arquitetura, agricultura, astronomia e direito. Iniciou sua era de império sob o amorita Hamurabi, por volta de 1730 a.C., e manteve-se assim por pouco mais de mil anos. Hamurabi foi o primeiro rei conhecido a codificar leis, utilizando no caso, a escrita cuneiforme, escrevendo suas leis em tábuas de barro cozido, o que preservou muitos destes textos até ao presente. Daí, descobriu-se que a cultura babilônica influenciou em muitos aspectos a cultura moderna, como a divisão do dia em 24 horas, da hora em 60 minutos e daí por diante.

Os arameus, assírios e os caldeus lutaram durante séculos pelo controle da Babilônia. O rei assírio Assurbanípal venceu a luta em 648 a.C., e foi sucedido por Nabucodonosor II.

A Babilônia teve início com o declínio do império de Sargão I. Era a capital dos amoritas (semitas, vindos do deserto da Arábia), que até então, era uma pequena cidade do Eufrates. Graças ao enfraquecimento dos Acadianos e posteriormente dos Sumérios, a Babilônia cresceu e evoluiu, tornando-se então, um império e um cobiçado centro comercial.

De entre os seus soberanos, o mais famoso foi Hamurabi (1792 a 1750 a.C.). O mais antigo e completo código de leis que a história registra foi de realização sua. Hamurabi também nomeou governadores, unificou a língua, a religião e fundiu todos os mitos populares em um único livro: a Epopéia de Marduk - que era lido em todas as festas de seu reino. Também cercou sua capital, fortificando-a.

A expansão dessa cidade se iniciou por volta de 1800 a.C., logo, o rei Hamurabi unificou toda a região que ia da Assíria (no norte), à Caldéia (no sul). A partir dessa unificação, surgiu o Primeiro Império Babilônico.

A Babilônia entrou em declínio após a morte de Hamurabi; o poderio da cidade foi balançado por invasões de povos indo-europeus, vindos da Ásia Central. Destacavam-se os cassitas, hititas e mitanos. Os cassitas estabeleceram-se nas margens do rio Tigre.

O poder cai nas mãos dos cruéis assírios, que formavam um poderoso império que se iniciou em 1200 a.C., até 612 a.C. quando Nabopolasar (da Babilônia), aliado aos Medos (povo que vivia no planalto iraniano), atacou Nínive, capital do Império Assírio, retomando o poder para a Babilônia, e se iniciando assim o Segundo Império Babilônico (ou Caldeu), que se tornou a mais notável cidade do Oriente.

Teve um extraordinário progresso econômico, o que permitiu por exemplo a construção de zigurates, as torres dos templos onde os sacerdotes observavam os astros.


[editar] Assurbanípal
Assurbanípal (reinou de c. 668 a 627 a.C.) foi o rei que mandou criar a biblioteca de tábuas de barro, escritas em linguagem cuneiforme, que, tendo muitas delas sido preservadas até aos dias de hoje, permitiu aos arqueólogos descobrirem muitos aspectos da vida política, militar e intelectual dessa grande civilização.

Essa descoberta deve-se ao arqueólogo Austen Henry Layard. A "Biblioteca Real" de Assurbanípal consiste de milhares de tabuinhas de barro e fragmentos contendo textos de vários tipos (inscrições reais, crônicas, mitologia, religião, contratos, cartas reais, decretos, documentos administrativos, entre outros) datando do sétimo século a.C. Este tesouro arqueológico foi encontrado em Kuyunjik (onde ficava Nínive, capital da Assíria).

Esses textos agora encontram-se, em grande parte, no Museu Britânico, em Londres.


[editar] Nabucodonosor II
Liderados por Nabucodonosor II (reinado de 604 a.C. a 562 a.C) (que também construiu os Jardins Suspensos da Babilônia, uma das sete maravilhas do mundo antigo), os babilônios destruíram Jerusalém em 607 a.C., levando os judeus ao exílio babilônico. O rei persa Ciro, o Grande, conquistou a Babilônia em 539 a.C., anexando a cidade e libertando os judeus de seu exílio.


[editar] Alexandre, o Grande
Após a conquista da Pérsia por Alexandre, o Grande, este imperador fez da cidade de Babilônia sua capital, sendo depois capital dos Selêucidas, mas a cidade foi completamente destruída pelos partos anos mais tarde. Sobre suas ruínas foi construída a cidade de Ctensifon, capital da Pérsia Sassânida.


[editar] A Babilónia e os judeus
Na cultura hebraica e no cristianismo, a Babilônia se tornou um inimigo arquetípico do "povo de Deus". Várias referências à Babilônia ocorrem na Bíblia. A cidade de Babilônia é tida, biblicamente, como símbolo de soberba e idolatria, conforme relatado pelo apóstolo João no livro do Apocalipse do Novo Testamento.

Temos, hoje em muitos países, costumes e práticas que nasceram em Babilônia. Muitos costumes nativos dessa cidade inclusive influenciam várias religiões espalhadas pelo mundo como, por exemplo, a imortalidade da alma humana, o mediunismo (falar com os mortos), o uso de imagens na adoração, o uso de encantamentos mágicos para dominar ou expulsar demônios, um grande poder da classe sacerdotal e a utilização de deuses tríades.

O cardeal católico romano John Henry Newman, do século XIX, indicando origens não-cristãs de muitas das doutrinas, cerimônias e práticas disse, no seu Essay on the Development of Christian Doctrine (Ensaio sobre o Desenvolvimento da Doutrina Cristã): "O emprego de templos, e estes dedicados a certos santos, e enfeitados em ocasiões com ramos de árvores; incenso, lâmpadas e velas; ofertas votivas ao restabelecer-se de doenças; água benta; asilos; dias santos e estações, uso de calendários, bênção de campos, vestimentas sacerdotais, a tonsura, a aliança nos casamentos, o virar-se para o Oriente...".

[editar] Religião
Durante o seu segundo império, Marduk foi considerado o maior deus nacional. Porém em todos os períodos sempre se acreditou em milhares de demônios invisíveis que espalhavam o mal e cegavam os homens. Suas características gerais eram:
Politeísmo;
Desprezo pela vida além-túmulo;
Crença em gênios, demônios, heróis, adivinhações e magia.
Para eles, os gênios bons, ajudavam os deuses contra os malignos demônios, contra as enfermidades e a morte. Os seres mortais viviam a procura de saber a vontade dos deuses, manifestada em sonhos, eclipses e o movimento dos astros. E deram origem a astrologia.

25 de mar de 2009



A Arca de Noé era, segundo a religião abraâmica, um grande navio construído por Noé, a mando de Deus, para salvar a si mesmo, sua família e um casal de cada espécie de animais do mundo, antes que viesse o Grande Dilúvio da Bíblia. A história é contada em Gênesis 6-12, assim como no Alcorão e em outras fontes.
Conforme a tradição bíblica, Deus decidiu destruir o mundo por causa da perversidade humana, mas poupou Noé, o único homem justo da Terra em sua geração, mandando-lhe construir uma arca para salvar sua família e representantes de todos os animais e aves. A certa altura, Deus se lembrou de Noé e interrompeu o Dilúvio, fazendo as águas recuarem e as terras secarem. A história termina com um pacto entre Deus e Noé, assim como com sua descendência.
Essa história tem sido amplamente discutida nas religiões abrâmicas, surgindo comentários que vão do prático (como Noé teria eliminado os resíduos animais?) ao alegórico (a arca representa a Igreja como salvadora da Humanidade em decadência). A partir do século I, vários detalhes da arca e da inundação foram examinados, questionados e até colocados em dúvida por estudiosos cristãos e judeus.
Mas, no século XIX, o desenvolvimento da Geologia e da Biogeografia tornaram difícil sustentar uma interpretação literal da história, então os críticos da Bíblia mudaram sua atenção para a origem e os propósitos seculares da arca. No entanto, os intérpretes literais da Bíblia continuam a ver a história narrada como chave para sua compreensão da Bíblia e agora exploram a região das montanhas do Ararat, no nordeste da Turquia, onde a arca estaria descansando. história de Arca de Noé, de acordo com os capítulos 6 a 9 do livro do Gênesis, começa com Deus observando o mau comportamento da Humanidade e decidido a inundar a terra e destruir toda vida. Porém, Deus encontrou um bom homem, Noé, "um virtuoso homem, inocente entre o povo de seu tempo", e decidiu que este iria preceder uma nova linhagem do homem. Deus disse a Noé para fazer uma arca e levar com ele a esposa e seus filhos Shem, Ham e Japheth, e suas esposas. Além disso, disse para trazer exemplares de todos os animais e aves, machos e fêmeas. A fim de fornecer seu sustento, disse para trazer e armazenar alimentos.

Obra O Dilúvio, Capela Sistina, de Michelangelo Buonarroti.
Noé, sua família e os animais entraram na arca e "no mesmo dia foram quebrados todos os fundamentos da grande profundidade e as janelas do céu foram abertas, e a chuva caiu sobre a terra por quarenta dias e quarenta noites". A inundação cobriu mesmo as mais altas montanhas por mais de seis metros (20 pés), e todas as criaturas morreram; apenas Noé e aqueles que com ele estavam sobre a arca ficaram vivos. A história do Dilúvio é considerada por vários estudiosos modernos como um sistema de dois contos ligeiramente diferentes, entrelaçados, daí a aparente incerteza quanto à duração da inundação (quarenta ou cento e cinqüenta dias) e o número de animais colocados a bordo da arca (dois de cada espécie, ou sete pares de alguns tipos) .
Eventualmente, a arca veio a descansar sobre o Monte Ararat. As águas começaram a diminuir e os topos das montanhas emergiram. Noé enviou um corvo, que "voou de um lado a outro até que as águas recuaram a partir da terra". Em seguida, Noé enviou uma pomba, mas ela retornou à arca sem ter encontrado nenhum lugar para pousar. Depois de mais sete dias, Noé novamente enviou a pomba e ela voltou com uma folha de oliva no seu bico e então ele soube que as águas tinham abrandado.
Noé esperou mais sete dias e enviou a pomba mais uma vez, e desta vez ela não retornou. Em seguida, ele e sua família e todos os animais saíram da arca e Noé fez um sacrifício a Deus, e Deus resolveu que nunca mais lançaria maldição à terra por causa do homem, nem iria destruí-la novamente dessa maneira.
A fim de se lembrar dessa promessa, Deus colocou um arco-íris nas nuvens, dizendo: "Sempre que houver nuvens sobre a terra e o arco-íris aparecer nas nuvens, eu me lembrarei da eterna aliança entre Deus e todos os seres vivos de todas as espécies sobre a terra".

[editar] A arca nas tradições antigas
Na tradição rabínica
A história da Arca de Noé foi objeto de muita discussão na posterior literatura rabínica. A falha de Noé em advertir outros sobre a inundação foi largamente vista como fonte de dúvidas sobre a sua bondade. Era ele o único virtuoso em uma geração má? De acordo com uma tradição, ele passou adiante a advertência de Deus, plantando cedros por cento e vinte anos antes do Dilúvio, a fim de que os pecadores pudessem ver e ser instados a alterar seu comportamento.

Construção da arca
A fim de proteger Noé e sua família, Deus colocou leões e outros animais ferozes a guardá-los contra os ímpios que escarneciam deles e causavam-lhes violência. De acordo com um midrash, foi Deus, não os anjos, que reuniu os animais para a arca, juntamente com os seus alimentos. Como havia necessidade de distinguir entre animais limpos e imundos, os animais limpos se deram a conhecer através do rebaixamento diante de Noé à medida que eles entravam na arca. Uma opinião diferente sustenta que a própria arca distinguia os puros de impuros, admitindo sete dos primeiros e dois dos segundos.
Noé se encarregou dia e noite da alimentação e dos cuidados para com os animais, e não teve sono pelo ano inteiro a bordo da arca. Os animais foram os melhores de suas espécies e assim comportavam-se com extrema bondade. Eles se abstiveram de procriação a fim de que o número de criaturas que desembarcassem fosse exatamente igual ao número que embarcou. O corvo criou problemas, recusando-se a sair quando a Arca de Noé enviou-o primeiro e acusou o Patriarca de querer destruir sua raça, mas, como os comentadores salientaram, Deus quis salvar o corvo para que os seus descendentes fossem destinados a alimentar o profeta Elias.
Os refugos foram armazenados no mais baixo dos três pavimentos, seres humanos e animais limpos sobre o segundo, e os pássaros e animais impuros no topo. Uma opinião diferente situou os refugos no pavimento mais alto, de modo que podiam ser jogados ao mar através de um alçapão. Pedras preciosas, brilhantes como meio-dia, providenciaram luz e Deus assegurou que os alimentos frescos fossem mantidos. O gigante Og, rei de Bashan, esteve entre os salvos, mas, devido a seu tamanho, teve que permanecer fora, passando-lhe Noé alimentos através de um buraco na parede da arca.
Na tradição cristã
Cedo no Cristianismo, escritores elaboraram significados alegóricos para Noé e a arca. Na primeira epístola de Pedro, aqueles salvos pela arca das águas da inundação eram vistos como os precursores da salvação através do batismo dos cristãos, e o rito do batismo anglicano ainda pede a Deus, "que de sua grande misericórdia salvou Noé", que receba na Igreja as crianças levadas para batismo. Artistas freqüentemente retrataram Noé de pé em uma pequena caixa sobre as ondas, simbolizando a salvação de Deus através da Igreja e sua perseverança através do tumulto, e Santo Agostinho de Hipona (354-430), na obra Cidade de Deus, demonstrou que as dimensões da arca correspondiam às dimensões do corpo humano, que é o corpo de Cristo, que é a Igreja. São Jerônimo (347-420) chamou o corvo, que foi enviado adiante e não retornou, de "chula ave de abominação" expulsa pelo batismo; enquanto a pomba e a folha de oliva vieram para simbolizar o Espírito Santo e a esperança de salvação e, eventualmente, de paz.

Sacrifício de Noé
Santo Hipólito de Roma (235-), procurando demonstrar que "a arca era um símbolo de Cristo, que era esperado", declarou que a embarcação teve sua porta na parte oriental, que os ossos de Adão foram levados a bordo juntamente com ouro, mirra e resina, e que a arca foi lançada ao vaivém nas quatro direções sobre as águas, fazendo o sinal da cruz, antes de eventualmente parar no Monte Kardu, "a leste, na terra dos filhos de Raban, e os orientais chamaram-na de Monte Godash; os árabes e os persas chamaram-na de Ararat".
Em um plano mais prático, Hipólito explicou que a arca foi construída em três pavimentos, o mais baixo para os animais selvagens, o do meio para aves e animais domésticos e o nível mais alto para seres humanos, e que os animais machos foram separados das fêmeas por grandes estacas, para ajudar a manter a proibição contra a coabitação a bordo do navio. Do mesmo modo, Orígenes (182-251), respondendo a um crítico que duvidava de que a arca pudesse conter todos os animais do mundo, e seguindo uma discussão sobre cúbitos, sustentou que Moisés, o tradicional autor do livro do Gênesis, tinha sido ensinado no Egito e, por isso, utilizava (no texto bíblico) os cúbitos egípcios, que eram maiores. Ele também fixou a forma da arca como uma pirâmide truncada, retangular, em vez de quadrada em sua base, e afunilando-se em um quadrado na lateral; não foi até o século XII que se veio a pensar na arca como uma caixa retangular com um teto inclinado.
Na tradição islâmica
Noé (Nuh) é um dos cinco principais profetas do Islã, geralmente mencionado em conexão com o destino daqueles que se recusam a ouvir a Palavra. As referências estão espalhadas através do Alcorão, com a máxima consideração à surata 11:27-51, intitulada "Hud".
Em contraste com a tradição judaica, que usa um termo que pode ser traduzido como uma caixa ou um peito para descrever a arca, a surata 29:14 refere-se a ela como um safina, um navio ordinário, e a surata 54:13 cita-a como "uma coisa de tábuas e pregos". A surata 11:44 diz que ela foi parar no Monte Judi, identificado pela tradição como uma colina perto da cidade de Jazirat ibn Umar, na margem oriental do Tigre, na província de Mosul, no norte do Iraque.
Abd Allah ibn Abbas, contemporâneo de Maomé, escreveu que Noé estava em dúvida quanto a que forma dar a arca, e que Deus revelou-lhe que era para ser modelada como uma barriga de ave e feita com madeira de teca. Noé então plantou uma árvore, que em vinte anos havia crescido o suficiente para proporcionar-lhe toda a madeira de que ele necessitava.

Monte Ararat, na Turquia
O historiador persa Abu Ja'far Muhammad ibn Jarir al-Tabari, autor de História dos Profetas e Reis (915-), incluiu inúmeros detalhes sobre a Arca de Noé, não encontrados em nenhuma outra parte, por exemplo, ele diz que a primeira criatura a bordo foi a formiga e a última foi o burro, por meio dos quais Satanás veio a bordo. Ele também diz que quando os apóstolos de Jesus manifestaram o desejo de aprender sobre a arca de uma testemunha ocular, ele respondeu com uma ressurreição temporária de Ham, filho de Noé, dos mortos, que lhes disse mais: para lidar com o excessivo excremento, Noé criou milagrosamente um par de porcos, que saíram da cauda do elefante, e, para lidar com um rato clandestino, Noé criou um par de gatos a partir do nariz do leão.
Abu al-Hasan Ali ibn al-Husayn Masudi (956-) disse que o local onde ela veio a descansar poderia ser encontrado no seu tempo. Masudi também disse que a arca começou sua viagem em Kufa, no Iraque central, e rumou para Meca, onde ela marcou a Kaaba, antes de viajar finalmente para Judi. A surata 11:41 diz: "E ele disse, 'Ancore-a aqui; em nome de Deus ela se moverá e permanecerá!’". Abdallah ibn Umar al-Baidawi, escrevendo no século XIII, disse que Noé falava "Em Nome de Deus!" quando ele desejava que a Arca se movesse e o mesmo quando ele queria que ela permanecesse no lugar.
A inundação foi enviada por Deus em resposta à oração de Noé, que aquela geração má deveria ser destruída; mas, como Noé era justo, ele continuou a pregar e setenta idólatras foram convertidos e entraram na arca com ele, elevando o total para setenta e oito pessoas a bordo (estes acrescidos de oito membros da própria família de Noé). Os setenta não tiveram descendentes e todos os nascidos depois da inundação da Humanidade são descendentes dos três filhos de Noé. Um quarto filho (ou um neto, de acordo com alguns), Canaã, estava entre os idólatras e foi um dos afogados.
Baidawi deu o tamaho da arca em 300 cúbitos (157 m, 515 pés) de comprimento por 50 (26,2 m, 86 pés) de largura e 30 (15,7 m, 52 pés) de altura e explicou que, no primeiro dos três níveis, animais selvagens e domesticados foram acomodados, no segundo os seres humanos e no terceiro as aves. Em cada tábua havia o nome de um profeta. Faltavam três tábuas, simbolizando três profetas, elas foram trazidas do Egito por Og, filho de Anak, o único dos gigantes que teve permissão de sobreviver à inundação. O corpo de Adão foi colocado no meio para dividir os homens das mulheres.
Noé passou cinco ou seis meses a bordo da arca, no termo dos quais ele enviou um corvo. Mas o corvo parou para se regozijar em Carrion e, por isso, Noé amaldiçoou-o e enviou a pomba, que desde então tem sido conhecida como a amiga do homem. Masudi escreveu que Deus comandou a terra para absorver a água e algumas porções que foram lentas em obediência receberam água salgada como castigo, e por isso se tornaram secas e áridas. A água que não foi absorvida formou os mares, de modo que as águas da inundação ainda existem.
Noé deixou a arca aos dez dias do mês de Muharram, e ele e os seus familiares e companheiros construíram uma vila no sopé do monte Judi, chamado Thamanin ("oitenta"), a partir de seu número. Noé então bloqueou a arca e confiou as chaves a Shem. Yaqut al-Hamawi (1179-1229) mencionou uma mesquita construída por Noé, que poderia ser vista em seu tempo, e Ibn Batutta atravessou a montanha nas suas viagens, no século XIV. Modernos muçulmanos, embora geralmente não ativos na pesquisa da arca, acreditam que ela ainda existe no alto das encostas da montanha.
Em outras tradições
Os mandaeans, do sul do Iraque, praticam uma religião única, possivelmente influenciada em parte pelos seguidores iniciais de João Batista. Eles respeitam Noé como um profeta, embora rejeitem Abraão (e Jesus) como falsos profetas. Na versão dada em suas escrituras, a arca foi construída a partir de sândalo do Monte Hor e era de forma cúbica, com comprimento, largura e altura de 30 gama (o comprimento de um braço); o seu local de descanso final seria o Egito.
A religião dos yazidi, das montanhas Sinjar, no norte do Iraque, mistura crenças islâmicas e indígenas. De acordo com as sua Mishefa Reş, o Dilúvio não ocorreu uma vez, mas duas vezes. No Dilúvio original, sobreviveu um certo Na'umi, pai de Ham, cuja arca descansou em um lugar chamado Sifni Ain, na região de Mossul. Algum tempo depois veio a segunda inundação, sobre os yezidis apenas, na qual sobreviveu Noé, cujo navio foi trespassado por uma rocha, uma vez que flutuava sobre o Monte Sinjar, e depois passou à terra do Monte Judi como descrito na tradição islâmica.
Segundo a mitologia irlandesa, Noé teve um filho chamado Bith, que não foi autorizado a entrar na arca, e que em vez disso tentou colonizar a Irlanda com cinqüenta e quatro pessoas, as quais foram, então, todas aniquiladas no Dilúvio.
A Fé Bahá'í, uma mistura do Islamismo, Cristianismo e Judaísmo, criada no século XIX, respeita a arca e as inundações como figuras simbólicas. Na crença Bahá'í, apenas seguidores de Noé estavam espiritualmente vivos, e foram preservados na arca por causa de seus ensinamentos, enquanto os outros estavam mortos espiritualmente. A escritura Bahá'í Kitáb-i-Íqán subscreve a crença islâmica de que Noé tinha um grande número de companheiros, quarenta ou setenta e dois, além de sua família, na arca, e que ele ensinou por novecentos e cinqüenta anos (simbólicos) antes da inundação.

[editar] A arca em escolas científicas e críticas
A arca sob escrutínio
A Renascença viu uma especulação que poderia ter parecido familiar a Orígenes e Agostinho. Contudo, ao mesmo tempo, uma nova classe de escola surgiu, uma que, embora nunca questionasse a verdade literal da história da arca, começou a especular sobre o comportamento prático do Noé dentro de um navio, de um âmbito puramente naturalista. Assim, no século XV, Alfonso Tostada deu uma descrição pormenorizada da logística da arca e estabeleceu critérios para a eliminação de excrementos e a circulação de ar fresco; e o notável geômetra do século XVI, Johannes Buteo, calculou as dimensões interiores do navio, que permitissem salas para moedores de moinhos e fornos de fumo, um modelo amplamente adotado por outros comentadores.

Estátua em homenagem a Noé, em Veneza
No século XVII, era necessário conciliar a exploração do Novo Mundo e a maior consciência da distribuição global de espécies com a velha crença de que toda a vida teve origem a partir de um único ponto nas encostas do Monte Ararat. A resposta óbvia é que o homem se havia espalhado ao longo dos continentes após a destruição da Torre de Babel e levado animais com ele, ainda que alguns dos resultados parecessem peculiares: por que razão tinham os nativos da América do Norte levado cascavéis, mas não cavalos, perguntou Sir Thomas Browne, em 1646. "Como a América abundava de bestas e animais nocivos, mas não continha criaturas necessárias como um cavalo, é muito estranho".
Browne, que foi um dos primeiros a pôr em causa o conceito de geração espontânea, era um médico e cientista amador que fez essa observação de passagem. Estudiosos da Bíblia da época, como Justus Lipsius (1547-1606) e Atanásio Kircher (1601-80), também refizeram a história da arca sob uma análise rigorosa, na tentativa de harmonizar a história bíblica com o conhecimento histórico e natural. As hipóteses resultantes foram um importante impulso para o estudo da distribuição geográfica de plantas e animais, e indiretamente estimularam o surgimento da Biogeografia no século XVIII.
Historiadores naturais começaram a desenhar conexões entre os climas e os animais e plantas adaptados a eles. Uma influente teoria considerou que o bíblico Ararat tinha diferentes zonas climáticas e, como o clima mudou, os animais migraram e eventualmente, espalharam-se e repovoaram o planeta. Havia também o problema de um cada vez maior número de espécies conhecidas: para Kircher e anteriores historiadores naturais, havia pouco espaço para todas as espécies animais conhecidas na arca, e, no tempo em que John Ray (1627-1705) estava trabalhando, apenas várias décadas depois de Kircher, seu número tinha se expandido para além das proporções bíblicas. Incorporando todo o leque de diversidade animal na arca, a história foi se tornando cada vez mais difícil, e em 1700 poucos historiadores naturais poderiam justificar uma interpretação literal da narrativa da Arca de Noé.
A hipótese documentária
A narrativa bíblica da inundação, na qual aparece a Arca de Noé, parece ter sido sujeita a análise literária considerável. A narrativa é muitas vezes apresentada como um test-case para a hipótese documentária, que propõe que a narrativa da inundação era composta pela combinação de duas histórias independentes sobre o mesmo assunto. Essa hipótese ainda tem muitos seguidores nos círculos académicos, mas já não pode ser chamada uma posição consensual. Teorias alternativas sobre as origens do Pentateuco sustentam que a narrativa era o produto de uma lenta acumulação de blocos de material ao longo do tempo, ou o resultado de extensas edições e adições a um texto original. Existe um consenso geral de que a história da arca está incorporada dentro de um contexto sugestivo de influências editorais paralelas que continuam a ser chamadas de jeovaístas e sacerdotais. O desacordo continua sobre que passagens da narrativa pertencem a que fonte.
Escola bíblica e a arca no século vinte
A hipótese documentária ainda tem muitos seguidores nos círculos académicos, mas já não pode ser chamada de uma posição consensual. Teorias alternativas sobre origens do Pentateuco sustentam que a Tora e a narrativa da arca foram o produto de uma lenta acumulação de blocos de material ao longo do tempo, ou o resultado de extensas edições e adições a um texto original, mas há um acordo geral de que existem duas vertentes distintas na narrativa da arca história, que, independentemente de serem entendidas como documentos distintos, ou como uma seqüência de camadas editoriais ou acréscimos autorais, continuam a ser chamadas de jeovaístas e sacerdotais.

A pomba da paz
Uma boa parte da atenção acadêmica foi dada ao significado teológico da história da arca para os antigos autores. O respeitado estudioso evangélico Gordon Wenham fez notar a presença de uma elaborada palístrofe dentro da história: a narrativa tem duas metades, cada uma espelhando a outra, com a frase "E Deus lembrou-se de Noé" em seu centro: isso, de acordo com Wenham, identifica o seu núcleo teológico. Martin Norte identificou a arca história como o elemento central de uma unidade narrativa que ele chamou de história primal: esta retoma Genesis 1-11 e conta a história da criação da mundo, o surgimento do pecado, a decisão de Deus de destruir a sua primeira criação e começar de novo com Noé. O resto da história primal narra o novo crescimento do pecado depois de Noé, que culminou com a Torre de Babel.
As percepções de Wenham e Noht são largamente aceitas entre os estudiosos contemporâneos como a presença de uma forte vertente dos mitos mesopotâmicos em Gênesis 1.11 (a história da criação, a Torre de Babel e muitos elementos individuais dentro dessas histórias). Os sacredotes exilados do Templo de Jerusalém, confrontados com histórias sobre deuses babilônicos que criam e controlam o mundo (incluindo Atrahasis, as inundações e o mito da arca babilônica), reescreveram os mitos dos seus conquistadores para dar primazia a Javé e efetivamente negar o poder de babilônicos e das suas divindades. Tal como a arca deles, os navios de Atrahasis e Noé são modelados nos templos de suas respectivas culturas: as quatro faces de Atrahasis, as sete camadas do zigurate mesopotâmico, os sete céus da crença babilônica, os três pavimentos retangulares do Templo de Salomão e os três céus da crença hebraica.

24 de mar de 2009

Patmos




Patmos (em gr, Πάτμος) é uma pequena ilha da Grécia a 55 km da costa SO da Turquia, no mar Egeu. É uma das ilhas do Dodecaneso, e possui uma área total de 34,6 km² e uma população de 2700 habitantes (2002).
Constitui uma municipalidade grega com capital em Hora (ou Chora), às vezes erroneamente chamada Patmos. Skala é o único porto.
A ilha é dividida em duas partes quase iguais, uma do norte e outra do sul, unidas por um estreito istmo. A vegetação é limitada, e o relevo, formado de montes relativamente baixos, cujo pico mais alto é o Profitis Ilias (269 m).Conhecida por ser o local para onde o apóstolo João foi exilado — conforme consta na introdução do livro bíblico de Apocalipse —, Patmos foi usada como um lugar de banimento durante os tempos romanos. Segundo uma tradição preservada por Ireneu, Eusébio, Jerônimo e outros, o exílio de João aconteceu em 95 d.C., no ano décimo quarto do reinado de Domiciano. A tradição local ainda aponta a caverna onde João teria recebido a revelação para escrever o livro[1].
Desde 1522, a ilha foi diversas vezes controlada pelos turcos, sendo capturada pelos italianos em 1912. Em 1948 passou definitivamente ao controle grego.

23 de mar de 2009

Criterios de Canonicidade da bíblia

I.Apostolicidade - Um livro seria aceito se tivesse sido escrito por um apóstolo, ou por alguém do círculo apostólico. Se observarmos os escritores do Novo Testamento, poderemos notar essa condição. Mateus, João, Pedro e Paulo foram apóstolos; Tiago e Judas eram irmãos de Jesus; Marcos era associado na redação de seu Evangelho com Pedro; Lucas era associado de Paulo no trabalho missionário. O autor de Hebreus, se não for Paulo, é alguém que se situava no círculo apostólico (Hebreus 2:3-4). Assim, todo o Novo Testamento está ligado aos apóstolos de Jesus, que tinham sido especialmente designados por ele como porta-vozes autorizados. A antiguidade do livro, assim como a presença de doutrina apostólica aceita como padrão também contaria. É por este critério que Hebreus, Judas, Apocalipse e outros tiveram dificuldades para serem reconhecidos, pois sua autoria apostólica não era clara. Por outro lado, a atribuição do Didaquê, da Epístola de Clemente e do Pastor de Hermas, a personagens neo-testamentários (apóstolos, Filipenses 4:3 e Romanos 16:4) levou alguns a pensarem que os livros tinham caráter inspirados o suficiente para fazerem parte da Bíblia. A igreja antiga procurava distinguir livros autoritativos, dos livros úteis, como a Epístola de Barnabé.
II.Receptividade - A igreja receptora deveria ser a testemunha do uso contínuo do documento e de sua origem apostólica. Este critério que decorre do anterior, atrapalhou muito as chamadas "Epístolas Gerais" por não serem dirigidas a uma só igreja e, portanto, carecerem de apoio específico no testemunho de sua origem apostólica. O fato de um livro estar sendo lido em público na igreja seria um fator muito importante para sua aceitação (1 Tessalonicenses 5:27; 2 Tessalonicenses 3:14-15; Colossenses 4:16; Apocalipse 1:3; 3 João 9).
III.Catolicidade do livro - Escrito para todas as pessoas da época. Deveria também ser conhecido universalmente, isto é, ter sido aceito por todas as igrejas.
IV.Consistência doutrinaria - Seguia os parâmetros como o usado pelos judeus na formação do Antigo Testamento, os textos contidos no cânon deveriam seguir o ensino de Jesus e dos apóstolos, que era determinado pela ortodoxia – tradição vigente na Igreja. Critério esse que retirou vários livros considerados não tão colaboradores com as doutrinas e rejeitaria (como rejeitou) facilmente as obras consideradas heréticas, devido ao claro conteúdo de quebra com a tradição, transformando elas em apócrifas. O que faz pensar que também idéias que quebrassem os interesses políticos-religiosos da Igreja seriam rejeitados.
V.Inspiração – Os livros que se submetiam ao julgamento era julgados pelos seus próprios conteúdos, após sua leitura. Segundo Kümmel os livros apócrifos estavam mais influenciados por ideais helenísticos

22 de mar de 2009

O Novo Testamento

Os 27 livros do Novo Testamento foram escritos por vários autores em várias épocas e lugares. Ao contrário do Velho Testamento, o Novo foi escrito em um curto espaço de tempo, durante um século ou um pouco mais. A seguir, uma lista dos livros do Novo Testamento, seguidos pelos autores que a tradição, baseada no testemunho dos pais apostólicos, costuma atribuir.

[editar] Evangelhos
A palavra evangelho significa "Boa Nova", e refere-se ao nascimento do Messias prometido. Os evangelhos focam a vida, morte, e ressurreição de Jesus, bem como os seus ensinamentos. A origem dos evangelhos é objecto de controvérsia. Os seus autores procuraram fixar por escrito aquilo que até então circulava de boca em boca. Há opiniões divergentes.
Evangelho de Mateus -- Mateus, cobrador de impostos e apóstolo. Há quem afirme que foi o segundo dos evangelhos. Mateus terá conhecido o texto de Marcos.
Evangelho de Marcos -- Marcos, seguidor de Pedro e também de Paulo. Terá sido provavelmente o primeiro dos evangelhos. Há quem o afirme, apesar de seguir o evangelho de Mateus.
Evangelho de Lucas -- Lucas, seguidor de Paulo. O terceiro evangelho. Lucas também conhece o texto de Marcos.
Evangelho de João -- João, pescador e apóstolo. O 4º evangelho.

[editar] História
A história dos primeiros cristãos após a morte de Cristo é relatada no livro de Actos, de autoria atribuída a Lucas.

[editar] Epístolas
Este grupo contém várias epístolas (cartas) escritas tanto para indivíduos quanto para as primeiras comunidades cristãs. A maioria dessas epístolas expõe pontos teológicos importantes para o desenvolvimento da doutrina cristã.

[editar] Epístolas Paulinas
As Cartas Paulinas (ou Corpus Paulinum) são as epístolas que tradicionalmente se atribuem a Paulo (para raciocínios mais modernos, veja a seguir sobre a Autoria). Seus nomes assentam nos grupos cristãos ou pessoas a quem elas são dirigidas.
Romanos - Paulo
I Coríntios - Paulo
II Coríntios - Paulo
Gálatas - Paulo
Efésios - Paulo
Filipenses - Paulo
Colossenses - Paulo
I Tessalonicenses - Paulo
II Tessalonicenses - Paulo
I Timóteo - Paulo
II Timóteo - Paulo
Tito - Paulo
Filémon - Paulo
Hebreus - anônima, tradicionalmente atribuída a Paulo.

[editar] Outras Epístolas
As outras epístolas ou epístolas universais são dirigidas às comunidades cristãs como um todo. Foram nomeadas de acordo com os seus autores. No período medieval, elas não figuravam juntamente com as epístolas paulinas, mas junto com Actos, formando assim o Praxapostolos.
Tiago - Tiago, o "irmão do Senhor"
I Pedro - Pedro
II Pedro - Pedro (alguns estudiosos atualmente acreditam que tenha tido um outro autor)
I João - João (as epístolas joaninas são ocasionalmente atribuídas a membros da sua comunidade de discípulos, embora esta primeira carta se assemelhe bastante ao estilo e vocabulário do evangelho atribuído a João)
II João - João
III João - João
Judas - Judas, irmão de Tiago.

[editar] Profecia
Apocalipse - Tradicionalmente identificado com João.

[editar] Idioma
A língua popularmente falada na Palestina, na época de Jesus, era o Aramaico. No entanto, o texto original do Novo Testamento provavelmente foi escrito no Grego Koine, o dialecto típico nas províncias romanas do primeiro século, sendo posteriormente traduzido para diversas outras línguas, especialmente para o Latim, Siríaco, e Copta.
Entretanto, muitos dos pais da igreja alegam que Mateus foi originalmente escrito em Hebraico, enquanto outros afirmam que Paulo escreveu a Epístola aos Hebreus em hebraico, sendo traduzida para o grego por Lucas. Nenhuma dessas possibilidades é hoje sustentada pelos estudiosos modernos, que argumentam que a qualidade literária de Mateus e Hebreus sugerem que foram compostas diretamente em Grego, ao invés de terem sido traduzidos.
Devemos notar que muitos livros do Novo Testamento, especialmente os evangelhos de Marcos e João, foram escritos em um grego relativamente "pobre". Eles estão distantes do refinado grego clássico encontrado nas composições feitas pela classe alta, elite governamental, e filósofos conceituados da época.
Uma minoria de estudiosos considera que a versão aramaica do Novo Testamento seria a original e acredita que o grego é apenas uma tradução. Este ponto de vista é conhecido como Primazia Aramaica.

[editar] Autoria
Os autores dos livros do Novo Testamento da Bíblia teriam sido os apóstolos João, Mateus, Judas Tadeu, Tiago, Pedro e Paulo, além dos discípulos João, Marcos e Lucas, não sendo descartável a hipótese de haver autores desconhecidos pois até hoje se discute se Paulo teria escrito a epístola aos hebreus.

[editar] Data da composição
Embora não se tenham nenhum dos documentos originais, mas tão somente manuscritos dos séculos posteriores, de modo geral acredita-se que os livros do Novo Testamento teriam sido escritos no século I da era comum. As datas exatas de escrita dos livros propostas por pesquisadores possuem variações. Alguns consideram que o Novo Testamento praticamente completo (com exceção de Apocalipse) já estava escrito antes do ano 70, com alguns livros tendo sido escritos apenas alguns anos após os eventos que narram. De outro lado estão pesquisadores que consideram que todos os livros do Novo Testamento foram escritos bem depois dos acontecimentos relativos à morte de Jesus.
Apesar do Evangelho de Mateus figurar como o primeiro livro do Novo Testamento bíblico, é de maneira geral aceito entre pesquisadores que este não foi o primeiro a ser escrito, nem entre os evangelhos e quanto às demais obras. Isto porque o Evangelho mais antigo teria sido o de Marcos, cuja data de escrita costuma ser calculada entre os anos 55 e 65 da era comum e pode ter servido de fonte para Lucas e Mateus ampliarem as informações sobre a vida de Jesus na terra, embora contenha 31 versículos a mais relativos a outros milagres não relatados pelos demais evangelistas.
Todavia, supõe-se que os livros mais antigos teriam sido as epístolas de Tiago e de Paulo aos gálatas, cuja época teria sido, aproximadamente, em torno do ano 49 da era comum, antes do Concílio de Jerusalém.
Já os últimos livros a serem escritos têm a sua autoria atribuída ao apóstolo João e seriam o seu Evangelho, as três epístolas e o Apocalipse. Este, por volta do ano 95 da era comum, em Patmos, no período da perseguição do imperador Domiciano.
Importante observar que o período que pode ter sido o de maior produção dos escritos do Novo Testamento corresponderia à década de 60 do século I, talvez como uma iniciativa de preservar as informações sobre as origens do cristianismo na época das perseguições de Nero, quando a maioria dos apóstolos foram martirizados, entre os quais Pedro e Paulo.
Por outro lado, as epístolas de Paulo foram muito utilizadas pelo apóstolo para fins de comunicação com as comunidades cristãs e com os pregadores durante os tempos de suas viagens missionárias e na época de Nero. Algumas cartas, como a epístola aos gálatas teriam sido bem antes da primeira perseguição aos cristãos do Império Romano. Outras teriam sido após os últimos relatos que constam no livro de Atos.

[editar] A canonização do Novo Testamento
A forma como conhecemos foi estabelecida no século IV, por Atanásio de Alexandria. Nas épocas pós-apostólicas, os escritos procedentes dos apóstolos e tidos como tais, foram gradualmente colecionados em um segundo volume do cânon, até se completar o que se chama o Novo Testamento.
A coleção completa se deu lentamente, por varias razões. Alguns dos livros só eram conhecidos como apostólicos em algumas Igrejas. Somente quando esses livros entraram no conhecimento do corpo cristão em todo o Império Romano, é que eles foram aceitos como de autoridade apostólica. O processo adotado foi lento, por causa ainda do aparecimento de vários livros heréticos e escritos espúrios, com pretensões de autoridade apostólica.

21 de mar de 2009

Tanque de Betesda


O tanque de Betesda (בריכות הצאן) (Casa de Misericórdia), é um local referido na Bíblia, mencionado somente no Novo Testamento. Alguns manuscritos antigos utilizam a designação Betsata (Casa das Azeitonas) para se referirem a este reservatório de água. Nos tempos bíblicos, este local havia sido transformado num grande centro de peregrinação para pessoas que pretendiam obter cura através dos alegados poderes curativos das suas águas.
Este reservatório ou tanque ficava perto da Porta das Ovelhas, na zona Norte de Jerusalém. Ao redor deste tanque existiam cinco alpendres ou colunatas onde muitos doentes, bem como cegos e coxos, se juntavam aguardando que as águas consideradas milagrosas se agitassem. Segundo várias traduções da Bíblia, a agitação destas águas era provocada por um anjo de Deus, sendo que em algumas dessas versões se indica que o anjo se banhava ali. Isto provocaria a agitação da água, sendo que o primeiro doente a entrar na água ficaria milagrosamente curado. No entanto, em face da ausência desta explicação em vários manuscritos, nomeadamente alguns dos mais antigos manuscritos gregos, outras traduções optaram por omitir este versículo bíblico, em João 5:4.
Segundo o relato bíblico do Evangelho de João, no capítulo 5, Jesus Cristo realizou ali um dos seus mais extraordinários milagres. Tratou-se da cura de um homem, que esteve paralítico durante trinta e oito anos, tendo sido curado num sábado, o que aumentou o ódio que alguns judeus nutriam por Jesus.
O local é actualmente identificado com um reservatório duplo, com uma área geral de cerca de 46 por 92 metros, encontrado durante reparações e subsequentes escavações da Basílica de Santa Ana em 1888, no bairro de Bezeta, em Jerusalém, próximo da Porta das Ovelhas e da Torre de Antónia. Existia evidência de colunatas, e de um afresco desbotado, que representava um anjo agitando as águas, embora a pintura talvez fosse uma adição posterior. O local parece ajustar-se à descrição bíblica.

20 de mar de 2009

Gaspar da Gama


O seu nome original é desconhecido. Aparece com o nome de Gaspar da Gama ou Gaspar das Índias nas crônicas e relatos dos descobrimentos portugueses escritos por Gaspar Correia
Fernão Lopes de Castanheda, Jerónimo Osório, Damião de Góis e Álvaro Velho. Algumas fontes mais recentes o confundem com Gaspar de Lemos, navegador português que comandou um dos navios da frota que descobriu o Brasil. Outras fonte ainda o chamam de Gaspar d'Almeida[1].
Existem várias versões sobre sua vida antes de encontrar Vasco da Gama nas Índias[2]. Algumas destas versões tem como fonte o próprio Gaspar da Gama, mas ele possivelmente procurava esconder alguns fatos "perigosos" sobre o seu passado.
O cronista Gaspar Correia conta que, ao ser encontrado pelos portugueses, Gaspar da Gama era capitão-mor da esquadra de Sabayo, governador árabe de Goa, na Índia[3].
Damião de Góis afirma que Gaspar da Gama era judeu natural da cidade de Posna (Poznan) no reino da Polônia e que, nesta época, não falava espanhol, mas italiano[3], ou seja, a língua vêneta[4], idioma muito utilizado nos centros comerciais do Oriente que recebiam europeus.
João de Barros relata que o próprio Gaspar da Gama lhe contou que seus pais eram de Bosna (ou Posna, isto é, Poznan) na Polônia. Quando os judeus foram expulsos da cidade, seus pais emigraram para Jerusalém e depois para Alexandria, onde Gaspar da Gama nasceu[3].
Elias Lipiner estudou a documentação dos cronistas portugueses da época das grandes navegações e considerou a versão de João de Barros como a mais fiel aos fatos, sugerindo que Gaspar da Gama tenha nascido em Alexandria do Egito por volta de 1458. Seguindo rotas comerciais conhecidas pelos judeus da época, ele deve ter chegado muito jovem às Índias onde se estabeleceu como comerciante[2]. Já o historiador Arnold Wiznitzer acha mais provável que ele tenha mesmo nascido em Granada como conta o cronista Gaspar Correia, que morou nas Índias e é quem mais apresenta detalhes sobre Gaspar da Gama[3]. Uma outra versão diz que Gaspar da Gama nasceu perto do ano de 1440 na região da Bósnia (talvez por confusão com o nome de Poznan), que, ainda menino, migrou para a Alexandria e, por volta de 1470, mudou-se para as Índias[4].
Alguns cronistas dizem que Gaspar da Gama tinha uma esposa e filhos nas Índias, entretanto dizem que ela morava em Calecute, em Cochim ou ainda em Goa[5]
Quando a primeira esquadra portuguesa a chegar às Índias aportou na ilha de Angediva, no Oceano Índico, a cerca de 20 quilômetros da costa de Goa[4], Gaspar da Gama, sem ser convidado, se apresentou na nau de Vasco da Gama e pediu alegremente permissão para visitar um navio de sua terra, a Espanha[nota 1][3]. Era então um homem de mais de 50 anos, idade avançada para a época, com barbas brancas, bem mais alto e claro que os indianos da região. Conforme relatou o escrivão da frota portuguesa, Álvaro Velho, Gaspar da Gama disse que "trabalhava para um poderoso senhor dono de um exército com mais de 40 mil homens de cavalo, e que ao saber da chegada dos estrangeiros pediu ao patrão que fosse vê-los. Se não deixasse morreria de tristeza"[4]. Vasco da Gama fingiu acreditar e, discretamente, enviou alguns homens até a ilha de Angediva para obter informações sobre o visitante[4]. Alguns comerciantes cristãos, considerados os mais confiáveis, contaram ao portugueses que Gaspar da Gama era um espião e que preparava um ataque de surpresa. Ao saber disto, Vasco da Gama mandou açoitar o visitante e interrogá-lo sob tortura[4]. Depois de ter sido pingado, isto é, recebido gotas de óleo quente sobre a pele, Gaspar da Gama contou ser judeu de Granada convertido ao cristianismo[4], que tinha viajada para a Turquia e Meca e depois para as Índias[3], e que não havia qualquer plano de atacar os portugueses. Depois de 12 dias de interrogatório [4] sob tortura, Vasco da Gama passou a confiar mais no prisioneiro. Deu-lhe um queijo e dois pães moles e Gaspar da Gama disse=lhe que, apesar de tudo, estava muito feliz em encontrar estes "francos"[nota 2][4].
Vasco da Gama manteve Gaspar da Gama como prisioneiro e o levou na viagem de volta para Portugal, talvez considerando que seus conhecimentos seriam úteis nas próximas expedições. Durante o longo retorno, Gaspar da Gama acabou tornando-se amigos dos portugueses e, especialmente de Vasco da Gama. Quando foi batizado no ano seguinte, Vasco da Gama foi seu padrinho e lhe deu seu próprio sobrenome[4][3]. O primeiro nome - Gaspar - provavelmente foi escolhido como referência às suas origens, pois é o nome de um dos três Reis Magos que vieram do Oriente para visitar Jesus[3].
O rei Manuel I de Portugal gostou de Gaspar da Gama e passou a chamá-lo frequentemente à corte para ouvir suas estórias sobre as terras e costumes do Oriente[3]. Havia ainda a desconfiança de que Gaspar da Gama fosse um espião árabe[4], mas os portugueses reconheciam o seu valor, pois, além de ter comerciado em alguns de seus centros comerciais das Índias, também falava latim, árabe, italiano, castelhano, português e algumas línguas das Índias[3]. Devido a isto, o rei Manuel I nomeou-o conselheiro e intérprete da próxima esquadra que foi para as Índias, comandada por Pedro Álvares Cabral[3].
Sempre com uma touca na cabeça e vestido com roupa branca de linho[4], Gaspar da Gama foi um dos personagens mais curiosos e exóticos da esquadra de Pedro Álvares Cabral[2]. Apesar de não ser o único poliglota na esquadra que descobriu o Brasil, foi considerado o "língua da frota", o intérprete que traduziu as negociações comerciais entre portugueses e indianos, assim como os encontros do comandante Pedro Álvares Cabral com os rajás.[4].
Arnold Wiznitzer e Elias Lipiner dizem que Gaspar da Gama foi o primeiro judeu a aportar no Brasil[2] pois estava com Nicolau Coelho no primeiro bote que se aproximou das praias brasileiras[1] e tentou se comunicar com os "índios" tupiniquins utilizando as línguas da Índias, árabe e hebraico. Outro intérprete da frota que tentou falar com os "índios" sem sucesso foi Gonzalo Madeira, de Tânger, talvez um cristão-novo judeu ou mulçumano[3].
Nas Índias, Gaspar da Gama cumpriu sua missão sem trair os portugueses em qualquer momento. Seus serviços de intérprete e conhecimentos de geografia e costumes das Índias foram importantes nos encontros comerciais de portugueses e indianos em Calecute e Cochim[4].
Retornou por sua própria vontade para Portugal com a esquadra de Pedro Álvares Cabral. Em 1501, esta esquadra que voltava das Índias encontrou-se em Cabo Verde com a expedição de Gaspar de Lemos incumbida pelo rei de Portugal de pela primeira vez explorar as terras recém-descobertas do Brasil. [1]. As conversas que Gaspar da Gama e outros membros da expedição de Pedro Álvares Cabral tiveram com o florentino Américo Vespúcio que acompanhava a expedição de Gaspar de Lemos certamente consolidaram a ideia de que as terras descobertas por Cristóvão Colombo não eram o extremo das Índias, mas um continente novo.
Gaspar da Gama participou em 1502 de outra expedição para as Índias em uma outra esquadra comandada pelo seu padrinho Vasco da Gama [4]. Retornou de novo às Índias em 1505 com Francisco d'Almeida[1]. Durante estas viagens com os portugueses, aprendeu mais algumas línguas africanas[4].
Participou nas Índias da expedição dos portugueses que tentou conquistar Calecute em 1510, época em que alguns supõem que ele tenha morrido[1]. Outros consideram que ele tenha regressado a Portugal onde morreu. Alguns dizem que sua morte ocorreu entre 1510 e 1515[3], ou até por cerca de 1520, com quase oitenta anos de idade[4].
A mudança dos nomes cristãos de Ilha de Vera Cruz e Terra de Santa Cruz para Brasil é atribuída por alguns a Gaspar da Gama e Fernão de Noronha, ambos de origem judaica[3]. Entretanto, tal fato não têm base histórica e origina-se de fontes antissemitas[nota 3]. O que ocorreu foi a mudança do nome da nova terra descoberta devido ao intenso comércio de pau-brasil[6].

16 de mar de 2009

A Rainha de Sabá



Arqueólogos alemães encontraram os restos do palácio da lendária rainha de Sabá na localidade de Axum, na Etiópia, e revelaram assim um dos maiores mistérios da Antigüidade, segundo anunciou a Universidade de Hamburgo. "Um grupo de cientistas sob direção do professor Helmut Ziegert encontrou durante uma pesquisa de campo realizada nesta primavera européia o palácio da rainha de Sabá, datado do século X antes de nossa era, em Axum-Dungur", destaca o comunicado da universidade. A nota diz que "nesse palácio pode ter ficado durante um tempo a Arca da Aliança", onde, segundo fontes históricas e religiosas, foram guardadas as tábuas com os Dez Mandamentos, que Moisés recebeu de Deus no Monte Sinai. Os restos da casa da rainha de Sabá foram achados sob o palácio de um rei cristão."As investigações revelaram que o primeiro palácio da rainha de Sabá foi transferido pouco após sua construção, e levantado de novo orientado para a estrela Sirius", dizem os cientistas. Os arqueólogos acreditam que Menelik I, rei da Etiópia e filho da rainha de Sabá e do rei Salomão, foi quem mandou construir o palácio em seu lugar definitivo.Os arqueólogos alemães disseram que havia um altar no palácio, onde provavelmente ficou a Arca da Aliança, que, segundo a tradição, era um cofre de madeira de acácia recoberto de ouro.As várias oferendas que os cientistas alemães encontraram no lugar onde provavelmente ficava o altar foram interpretadas pelos pesquisadores como um claro sinal de que a relevância especial do lugar foi transmitida ao longo dos séculos.A equipe do professor Ziegert estuda desde 1999, em Axum, a história do início do reino da Etiópia e da Igreja Ortodoxa Etíope."Os resultados atuais indicam que, com a Arca da Aliança e o judaísmo, chegou à Etiópia o culto a Sothis, que foi mantido até o século VI de nossa era", afirmam os arqueólogos.O culto, relacionado à deusa egípcia Sopdet e à estrela Sirius, trazia a mensagem de que "todos os edifícios de culto fossem orientados para o nascimento da constelação", explica a nota.O comunicado também diz que "os restos achados de sacrifícios de vacas também são uma característica" do culto a Sirius praticado pelos descendentes da rainha de Sabá.

15 de mar de 2009

Calebe



Filho de Jefoné (Nm 13.6). Um dos dozes espias que, um de cada tribo, foram enviados à terra de Canaã para examiná-la acontecendo este fato no segundo ano do Êxodo. Calebe representava a tribo de Judá. Ele e Josué foram os únicos que voltaram com boas notícias acerca do país que iam habitar, e esse seu otimismo desagradou tanto ao povo israelita, com medo de efetuar a conquista de Canaã, que por pouco não foram apedrejados. Deus castigou a rebeldia do povo, determinando que, dos israelitas de vinte anos de idade para cima, apenas Josué e Calebe teriam permissão de entrar na terra prometida. Quando Calebe era de oitenta e cinco anos de idade, ele reclamou a posse da terra dos enaquins, Quiriate-Arba ou Hebrom, e a vizinhança do país montanhoso (Js 14). Ele expulsou de Hebrom os três filhos de Enaque, e deu a sua filha Acsa a seu irmão mais novo otniel, como recompensa por ter tomado Quiriate-Sefer (isto é Debiri (Js 15.14 a 19 - Jz 1.11 a 15). Crê-se que Calebe era cananeu por nascimento, tendo sido a tribo dos quenezeus, à qual ele pertencia, incorporada na de Judá (Js 14.6,14).

14 de mar de 2009

Fatores Históricos de Preconceito Racial



O simples fato de a raça negra ter sido escrava não é explicação suficiente para o tratamento discriminativo que lhe deteve a marcha rumo à espiral de ascensão sócio-cultural e sócio-econômica. As condições em que o negro foi escravizado é que tornaram a escravidão um estigma de difícil remoção.
O comércio escravista e a exploração do trabalho escravo eram atividades incompatíveis com uma consciência cristã. Ora, os traficantes de escravos e os escravocratas eram, na sua maioria, cristãos confessos. A concepção de cristianismo era antagônica à noção do negro como ser humano. Admitir a natureza humana do negro seria negar a formação cristã dos que queriam explorá-lo. Tem surgimento então uma das maiores chagas que o homem já abriu no seio de uma sociedade, com a conivência da Igreja, da Ciência e do Estado: a negação da natureza humana do negro, que justificou toda espécie de crueldade da parte do branco contra o negro escravo.
A estigmatização do negro pode ser de natureza religiosa, científica ou filosófica. O regime escravocrata receberá daquelas fontes o apoio necessário para se consolidar.
Já nos EUA havia um clima tenso derivado aos conflitos de consciência, que urgia neutralizar. O sul do País era um universo agrícola. Precisava desenvolver-se e o braço escravo era uma solução, uma resposta para a demanda de mão-de-obra. Então o Sul entregou-se arduamente à busca de um endosso bíblico para a escravidão do negro e a aceitação social dessa prática. Pesquisaram e encontraram subsídios para a prática escravista, no Antigo Testamento das Sagradas Escrituras: a maldição que Noé lançou sobre a descendência de Cã. Reza a tradição bíblica:
"...E (Noé) bebeu do vinho e embebedou-se; e descobriu-se no meio de sua tenda. E viu Cã, o pai de Canaã, a nudez de seu pai, e fê-lo saber a ambos os seus irmãos fora. (...) E despertou Noé do seu vinho, e soube o que o seu filho menor lhe fizera. E disse: Maldito seja Canaã, servo dos servos seja dos seus irmãos. E disse: Bendito seja o Senhor Deus de Sem; e seja-lhe Canaã por servo. Alargue Deus a Jafé, e habite nas tendas de Sem; e seja-lhe Canaã por servo (Gên. 9:21 – 27)."
Sabe-se que Canaã não tinha pele negra, nem seus descendentes, que se fixaram na terra que se tornou conhecida como Palestina. Os cananeus, com o tempo, foram realmente subjugados pelos israelitas, descendentes de Jafé. Esta subjugação cumpriu a maldição bíblica, sobre Canaã, mas nada teve a ver com a raça negra. A raça negra proveio dos outros filhos de Cã, Cus e, provavelmente, também Pute, cujos descendentes se fixaram na África. Já nos tempos modernos, John Fletcher, de Lousiana, EUA, ensinava que o pecado que motivou a maldição de Noé sobre Canaã, fora o casamento inter-racial. Canaã ter-se-ia casado com descendentes da raça maldita de caim.
Em 1902, a Casa da Bíblia, em S. Luís, Missouri, EUA, publicou um livro que foi muito difundido, The Negro, a Beast (O Negro, um Animal). Havia um capítulo intitulado Evidência Bíblica e Científica Convincente de que o Negro Não É Parte da Família Humana. A Enciclopédia Judaica dizia que os negros eram assim devido ao fato de Noé ter tido relações sexuais na arca.
O conceito católico sobre a maldição do negro ainda existia no ano de 1873, quando o Papa Pio IX solicitou uma oração em favor dos desgraçados etíopes da África Central, no sentido de que Deus removesse-lhes do coração a maldição de Cã.
A Enciclopédia Britânica, 9ª edição, 1884, diz:
Nenhum homem de puro sangue negro jamais se distinguiu como cientista, poeta ou artista; e a igualdade fundamental pretendida para ele por filantropos ignorantes é contraditada por toda a história da raça, durante todo o período histórico. ........................................................................................................................... A criança negra, via de regra, é tão inteligente quanto às outras variedades humanas; no entanto, os negros sofrem uma ossificação prematura do crânio, que impede todo o desenvolvimento posterior. ............................................................................................................................
A Enciclopédia Chamber, edição de 1882, diz que “o negro forma um elo de ligação entre a ordem mais elevada de macacos e o restante da humanidade”; e o Professor Carleton S. Coon, ex-Presidente da Associação Americana de Antropólogos Físicos afirma que a raça negra está atrasada em 200.000 anos em relação a raça branca, na escala da evolução.
Naqueles tempos, e ainda hoje, não era gratificante ouvir as opiniões que contrariavam a teoria da superioridade racial. A World Book Enciclopaedia registrava que “reinos negros, altamente desenvolvidos, já existiam em várias partes da África, há centenas de anos. Alguns dos reis negros e seus nobres viviam em grande opulência e esplendor. Suas capitais, às vezes, tornavam-se centros de cultura e comércio. Entre 100 e 1600, floresceu uma universidade em Tombuctu, na África Ocidental, e tornou-se famosa por toda a Espanha, África do Norte e Oriente Médio.”
Como vimos, o negro entrava nos países escravocratas com uma etiqueta que mais tarde tentaria arrancar, sem êxito; porquanto ela se entranhou profundamente na memória cultural das duas raças. Por isso, o branco pode esquecer que o negro um dia foi escravo, mas ainda subsistirão as conotações ligadas não à condição de escravo, mas ao mito de raça subumana, inferior.
A palavra mito é considerada apenas pelas mentalidades esclarecidas, pois nas outras mentalidades, a concepção racial tradicionalista tem raízes profundas, difíceis de erradicar totalmente. É como o câncer com suas ramificações perniciosas