22 de mar de 2009

O Novo Testamento

Os 27 livros do Novo Testamento foram escritos por vários autores em várias épocas e lugares. Ao contrário do Velho Testamento, o Novo foi escrito em um curto espaço de tempo, durante um século ou um pouco mais. A seguir, uma lista dos livros do Novo Testamento, seguidos pelos autores que a tradição, baseada no testemunho dos pais apostólicos, costuma atribuir.

[editar] Evangelhos
A palavra evangelho significa "Boa Nova", e refere-se ao nascimento do Messias prometido. Os evangelhos focam a vida, morte, e ressurreição de Jesus, bem como os seus ensinamentos. A origem dos evangelhos é objecto de controvérsia. Os seus autores procuraram fixar por escrito aquilo que até então circulava de boca em boca. Há opiniões divergentes.
Evangelho de Mateus -- Mateus, cobrador de impostos e apóstolo. Há quem afirme que foi o segundo dos evangelhos. Mateus terá conhecido o texto de Marcos.
Evangelho de Marcos -- Marcos, seguidor de Pedro e também de Paulo. Terá sido provavelmente o primeiro dos evangelhos. Há quem o afirme, apesar de seguir o evangelho de Mateus.
Evangelho de Lucas -- Lucas, seguidor de Paulo. O terceiro evangelho. Lucas também conhece o texto de Marcos.
Evangelho de João -- João, pescador e apóstolo. O 4º evangelho.

[editar] História
A história dos primeiros cristãos após a morte de Cristo é relatada no livro de Actos, de autoria atribuída a Lucas.

[editar] Epístolas
Este grupo contém várias epístolas (cartas) escritas tanto para indivíduos quanto para as primeiras comunidades cristãs. A maioria dessas epístolas expõe pontos teológicos importantes para o desenvolvimento da doutrina cristã.

[editar] Epístolas Paulinas
As Cartas Paulinas (ou Corpus Paulinum) são as epístolas que tradicionalmente se atribuem a Paulo (para raciocínios mais modernos, veja a seguir sobre a Autoria). Seus nomes assentam nos grupos cristãos ou pessoas a quem elas são dirigidas.
Romanos - Paulo
I Coríntios - Paulo
II Coríntios - Paulo
Gálatas - Paulo
Efésios - Paulo
Filipenses - Paulo
Colossenses - Paulo
I Tessalonicenses - Paulo
II Tessalonicenses - Paulo
I Timóteo - Paulo
II Timóteo - Paulo
Tito - Paulo
Filémon - Paulo
Hebreus - anônima, tradicionalmente atribuída a Paulo.

[editar] Outras Epístolas
As outras epístolas ou epístolas universais são dirigidas às comunidades cristãs como um todo. Foram nomeadas de acordo com os seus autores. No período medieval, elas não figuravam juntamente com as epístolas paulinas, mas junto com Actos, formando assim o Praxapostolos.
Tiago - Tiago, o "irmão do Senhor"
I Pedro - Pedro
II Pedro - Pedro (alguns estudiosos atualmente acreditam que tenha tido um outro autor)
I João - João (as epístolas joaninas são ocasionalmente atribuídas a membros da sua comunidade de discípulos, embora esta primeira carta se assemelhe bastante ao estilo e vocabulário do evangelho atribuído a João)
II João - João
III João - João
Judas - Judas, irmão de Tiago.

[editar] Profecia
Apocalipse - Tradicionalmente identificado com João.

[editar] Idioma
A língua popularmente falada na Palestina, na época de Jesus, era o Aramaico. No entanto, o texto original do Novo Testamento provavelmente foi escrito no Grego Koine, o dialecto típico nas províncias romanas do primeiro século, sendo posteriormente traduzido para diversas outras línguas, especialmente para o Latim, Siríaco, e Copta.
Entretanto, muitos dos pais da igreja alegam que Mateus foi originalmente escrito em Hebraico, enquanto outros afirmam que Paulo escreveu a Epístola aos Hebreus em hebraico, sendo traduzida para o grego por Lucas. Nenhuma dessas possibilidades é hoje sustentada pelos estudiosos modernos, que argumentam que a qualidade literária de Mateus e Hebreus sugerem que foram compostas diretamente em Grego, ao invés de terem sido traduzidos.
Devemos notar que muitos livros do Novo Testamento, especialmente os evangelhos de Marcos e João, foram escritos em um grego relativamente "pobre". Eles estão distantes do refinado grego clássico encontrado nas composições feitas pela classe alta, elite governamental, e filósofos conceituados da época.
Uma minoria de estudiosos considera que a versão aramaica do Novo Testamento seria a original e acredita que o grego é apenas uma tradução. Este ponto de vista é conhecido como Primazia Aramaica.

[editar] Autoria
Os autores dos livros do Novo Testamento da Bíblia teriam sido os apóstolos João, Mateus, Judas Tadeu, Tiago, Pedro e Paulo, além dos discípulos João, Marcos e Lucas, não sendo descartável a hipótese de haver autores desconhecidos pois até hoje se discute se Paulo teria escrito a epístola aos hebreus.

[editar] Data da composição
Embora não se tenham nenhum dos documentos originais, mas tão somente manuscritos dos séculos posteriores, de modo geral acredita-se que os livros do Novo Testamento teriam sido escritos no século I da era comum. As datas exatas de escrita dos livros propostas por pesquisadores possuem variações. Alguns consideram que o Novo Testamento praticamente completo (com exceção de Apocalipse) já estava escrito antes do ano 70, com alguns livros tendo sido escritos apenas alguns anos após os eventos que narram. De outro lado estão pesquisadores que consideram que todos os livros do Novo Testamento foram escritos bem depois dos acontecimentos relativos à morte de Jesus.
Apesar do Evangelho de Mateus figurar como o primeiro livro do Novo Testamento bíblico, é de maneira geral aceito entre pesquisadores que este não foi o primeiro a ser escrito, nem entre os evangelhos e quanto às demais obras. Isto porque o Evangelho mais antigo teria sido o de Marcos, cuja data de escrita costuma ser calculada entre os anos 55 e 65 da era comum e pode ter servido de fonte para Lucas e Mateus ampliarem as informações sobre a vida de Jesus na terra, embora contenha 31 versículos a mais relativos a outros milagres não relatados pelos demais evangelistas.
Todavia, supõe-se que os livros mais antigos teriam sido as epístolas de Tiago e de Paulo aos gálatas, cuja época teria sido, aproximadamente, em torno do ano 49 da era comum, antes do Concílio de Jerusalém.
Já os últimos livros a serem escritos têm a sua autoria atribuída ao apóstolo João e seriam o seu Evangelho, as três epístolas e o Apocalipse. Este, por volta do ano 95 da era comum, em Patmos, no período da perseguição do imperador Domiciano.
Importante observar que o período que pode ter sido o de maior produção dos escritos do Novo Testamento corresponderia à década de 60 do século I, talvez como uma iniciativa de preservar as informações sobre as origens do cristianismo na época das perseguições de Nero, quando a maioria dos apóstolos foram martirizados, entre os quais Pedro e Paulo.
Por outro lado, as epístolas de Paulo foram muito utilizadas pelo apóstolo para fins de comunicação com as comunidades cristãs e com os pregadores durante os tempos de suas viagens missionárias e na época de Nero. Algumas cartas, como a epístola aos gálatas teriam sido bem antes da primeira perseguição aos cristãos do Império Romano. Outras teriam sido após os últimos relatos que constam no livro de Atos.

[editar] A canonização do Novo Testamento
A forma como conhecemos foi estabelecida no século IV, por Atanásio de Alexandria. Nas épocas pós-apostólicas, os escritos procedentes dos apóstolos e tidos como tais, foram gradualmente colecionados em um segundo volume do cânon, até se completar o que se chama o Novo Testamento.
A coleção completa se deu lentamente, por varias razões. Alguns dos livros só eram conhecidos como apostólicos em algumas Igrejas. Somente quando esses livros entraram no conhecimento do corpo cristão em todo o Império Romano, é que eles foram aceitos como de autoridade apostólica. O processo adotado foi lento, por causa ainda do aparecimento de vários livros heréticos e escritos espúrios, com pretensões de autoridade apostólica.

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