4 de jan de 2009

O Papel dos Africanos Negros no povo de Deus IX-Quem eram os egípcios senão os “egípcios”? Dr º Peter Nash


Não é intenção deste ensaio resolver
a questão da etnia em geral;
ainda assim, é necessário assinalar
que termos raciais modernos são de
fato muito modernos, com uma história de apenas 200 a 500 anos1.
Além disso, muitos dos termos comumente
usados para indicar etnia ou
raça não têm peso científico, exceto
para antropólogos16. Semítico, indo-europeu e banto, por exemplo, são designações
de grupos lingüísticos, e não
termos biológicos. Visto que esses
grupos lingüísticos, internamente, são
basicamente parecidos em sua aparência
e seus comportamentos culturais,
eles fazem parte da mesma população.
Deve-se dizer que os egípcios,
em sua própria etiologia, consideravam-
se uma nação com dois grupos
distintos.
Do Antigo Reino18 até o final
do Egito como potência política
antiga, era tradicional representar o
faraó com o cocar dual, um branco e
um vermelho, ou com os dois cocares
com penas. Em cada caso, os dois
ícones representavam o Egito Superior
e o Inferior. Está claro que os
habitantes do Egito Superior, freqüentemente
conectados com os núbios
do moderno Sudão, eram, de fato, a
força cultural dominante no início da
unidade egípcia; Tebas tornou-se a
cidade santa, dedicada ao Deus
Amon, a divindade criadora de cujos
lombos toda a vida fluía.
Entre as pessoas que sentaram
no trono do Egito e se chamaram faraós
estavam os núbios da 25a Dinastia.
Os núbios, ou kuchitas, eram vizinhos
dos egípcios logo ao sul, onde
hoje é o Sudão. Durante os reinados
antigos e médios, eles foram, sem
nenhuma ordem específica, rivais,
parceiros comerciais e aliados dos
faraós de Tebas e Mênfis.
Os hicsos do Terceiro Período
Intermediário são os mais conhecidos
dos leitores da literatura do Antigo
Testamento por causa da sua freqüente,
mas muito incerta, associação
com a partida milagrosa dos filhos
de Israel do Egito descrita no livro
de Êxodo.
Os líbios da 21a Dinastia também
eram “estrangeiros” no trono do poderoso
faraó. Eles tinham sido rivais
da dinastia de Ramsés desde o reinado
de Ramsés II. Embora Ramsés
III tenha sido o último faraó de sua
dinastia a ser inteiramente bem-sucedido
na repulsão dos líbios, o franco
declínio do poder egípcio na Ásia
começou durante seu reinado, e foi
pontuado pelo vergonhoso beco sem
saída em que se envolveu ao enfrentar
tropas hititas inferiores em Kadesh.

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