7 de out de 2008

Zípora e Moisés, Percepção espiritual nos momentos de crise


Texto Bíblico: Êxodo 4.18-26
Ao estudar este texto que implica a circuncisão de Gérson, filho de Moisés, podemos levantar muitas perguntas. Por que Moisés quase morreu antes de cumprir sua missão? Por que Zípora teve que intervir de forma tão violenta? O que faltava a Moisés para se tornar um servo de Deus completo? Questões difíceis, mas não conseguimos impedir que elas invadam nosso imaginário em nossos momentos devocionais. O que há nas entrelinhas deste relato?
Para responder a estas perguntas será necessário fazer um outra leitura do texto, considerando as identidades étnicas de cada povo. É preciso perceber como cada povo entende a atuação de Deus para o bem e para o mal.
1. O contexto do evento
Este texto trabalha com pelo menos duas culturas muito distintas: a cultura midianita e a egípcia, na qual Moisés fora criado. No Egito a religião era oficial, politeísta, praticada no templo e servia, entre outras coisas, para legitimar o faraó como uma divindade a ser adorada. No Egito, o sacerdote “morava” no templo e a religião não era incentivada fora do espaço sagrado. A religião existia para servir ao faraó, posição que Moisés possivelmente teria ocupado se não tivesse matado um egípcio em favor de um hebreu (Êx 2.11-14).
Já entre os beduínos do deserto, o culto era um elemento dinâmico da vida familiar e um homem jamais ocuparia a posição de Deus. Os beduínos não entendiam templos como espaços onde se encontrariam com seu Deus. Para eles Deus morava na montanha, olhava para tudo que acontecia e acompanhava as peregrinações das famílias, podendo ser adorado em qualquer lugar em que a família acampasse.
Os beduínos tinham tendências monoteístas, isto é, não adoravam vários deuses, mas adoravam ao Deus que chamavam “Deus dos Pais”, porque este Deus, em algum momento da história daquela família, se revelara ao patriarca do clã. Sendo Jetro um descendente de Midiã, e Midiã fora um dos filhos de Abraão com Quetura, é muito provável que o “Deus dos Pais” dos midianitas fosse entendido como o mesmo “Deus de Abraão”. Este sistema de vida exigia um sacerdócio muito dinâmico e pouco exclusivo, com capacidade de ser exercido fora de um templo e por diversas pessoas da família.
2.Os personagens do Evento Entre nossos personagens está Zípora, mas para entende-la temos que entender Jetro, o sogro de Moisés. Jetro é apresentado com diferentes nomes ao longo da Bíblia (Reuel ou Hobabe - Êx 3.1, Nm 10.29 e Jz 4.11), também é chamado de quenita (Jz 1.16, Nm 10.29). Os quenitas eram uma das subtribos midianitas, por isso midianita ou quenita traduz a mesma idéia. Esta tribo dará abrigo aos israelitas mais adiante na história, quando fugirem do faraó (Nm 24.21,22).
Os povos do norte da África, como egípcios e líbios, estão bastante presentes na cultura bíblica, os cananitas são descendentes de Cam, filho de Noé, cuja reputação é a de ser o pai dos povos africanos. Mas a referência aos cuchitas é como uma menção aos povos negros, mais negros que os demais. Quando o texto bíblico diz que a esposa de Moisés era cuchita, está chamando Zípora de mulher negra (Nm 12). Zípora é a única mulher da Bíblia que circuncida um menino, isso era função de sacerdotes homens, mas muito provavelmente ela aprendeu com seu pai, no dinamismo da vida do clã, já que Jetro não tinha filhos homens (Êx 2.16) e com a idade já não devia enxergar tão bem a ponto de proceder a uma cirurgia tão delicada no corpo de seus netinhos recém-nascidos.
Moisés foi um descendente da tribo de Levi, cujas funções sacerdotais ainda viriam a ser assumidas na vida do povo de Israel. Neste momento da história nada disso estava definido. Deus ainda não designara os levitas para o sacerdócio, e mesmo quando designou, Moisés jamais foi sacerdote, Arão sim, mas Moisés sempre é apresentado como profeta, a pessoa que transmite as palavras de Deus. Por causa dos costumes midianitas, a sacerdotisa da família era Zípora. E Gérson era o filho primogênito do casal (Êx 2.11-22).
Túmulo de Jetro e Zípora

3. Os conflitos do evento
A formação de Moisés no Egito não considerava a existência de um “Deus dos Pais”. Ele foi criado num ambiente de panteão, com mais de cem divindades diferentes, onde cada qual tinha sua função, mas nenhuma era ligada à vida familiar. Moisés não fora criado com os hebreus, mas no palácio do faraó. Sua religião original era politeísta.
Não devemos pensar em Moisés como alguém que já conhecesse Javé desde que nascera. Assim como nós, Moisés aprendeu a conhecer a Deus durante a caminhada. Muitas experiências com Deus foram novidades para ele, pois ele não tinha uma cartilha a seguir. Um Deus da família era um conceito muito novo para Moisés, foi uma experiência que teve a partir de seu contato com Jetro e Zípora.
Na primeira vez que se encontrou com Deus (Êx 3.1-4.17) travou-se um longo diálogo no qual Deus se apresentou a Moisés justamente como o “Deus dos Pais” (Êx 3.6). Ele recebeu seu chamado no território ocupado por Midiã, e sua forma de entender a atuação de Deus foi aprendida com a família de Jetro. Isso continuou acontecendo depois, quando seu sogro continuou dando-lhe orientações (Êx 18).
Quando Moisés estava à beira da morte (Êx 4.24) ele não tinha noção do que fazer, mas Zípora, sim! Ela conhecera Javé antes de Moisés! E ela era filha de um sacerdote! Aprendera as funções sacerdotais, como a de circuncidar uma criança.
Zípora, em sua sensibilidade espiritual, parece ter entendido algo que nem Moisés captou. Quando Deus disse que, se o faraó não libertasse Israel, o primogênito de Javé, Ele mataria o primogênito de faraó (Êx 4.22,23) subentende-se que Deus estava prestes a agir como Deus de morte contra todo aquele que não pertencesse a Ele. Se a circuncisão já era praticada entre os midianitas desde os dias de Abraão como sinal da aliança entre Abraão e Deus e como símbolo da pertença a Javé, Zípora conhecia estas tradições. Imediatamente ela tomou a iniciativa de circuncidar Gérson, que agora pertencia a Javé.
Na Bíblia muitas vezes a palavra “pé” é usada para designar o órgão genital masculino, pois no hebraico antigo não existe uma palavra específica para esta parte do corpo. Quando Zípora atirou o prepúcio do menino nos pés de Moisés, foi como dizer: “faça agora você a sua parte”: a sua aliança com Javé, pois até aquele momento Moisés tinha uma missão, mas ele não tinha feito sua aliança com o Deus de Abraão!

4. As soluções do evento
Somos ensinados, em nossa vida cristã, que o sacerdócio do lar pertence ao chefe da família. Recentemente, num congresso da MCA, fizeram-nos a seguinte pergunta: “O que devo fazer quando meu marido, cristão, não quer assumir a responsabilidade espiritual da vida da família?”.
Atualmente muitas famílias são regidas por suas mães por não terem mais a presença do pai no meio delas, esse é um quadro que se torna cada vez mais comum na sociedade. Em muitas outras a presença do pai existe, mas estes se omitem na educação espiritual de seus filhos, deixando uma sobrecarga nas costas das mães.
Zípora e Moisés nos ensinam que o compromisso da aliança com Deus tem que ser de ambos e que, por mais que um dos cônjuges se esforce em transmitir esta aliança a seus filhos, o outro tem que fazer sua parte também! Não há compromisso com Deus que não envolva todas as partes de nossa vida, inclusive o nosso corpo inteiro.

10 comentários:

Lília Marianno disse...

Este texto é de minha autoria e está publicado no meu livro Relacionamentos complicados da Bíblia... e agora, que nem encontrei sua referência bibliográfica?

Jefferson Dias Dias disse...

Isso é uma vergonha!!! Para não dizer pior!!! Falta de respeito e caráter .
Lilia Mariano pessoa séria , uma intelectual de uma produção literária invejável ser submetida a essa situação.
Vergonha para quem teve coragem de cometer tal delito . Digno de processo.

Considerações sobre a violação de Direito Autoral

"O crime de violação de direito autoral consiste no fato de o agente “violar direitos de autor e os que lhe são conexos” (CP, art. 184). Trata-se de norma penal em branco em sentido amplo, que deve ser complementada por outra norma de nível idêntico (da mesma fonte legislativa), qual seja: a Lei dos Direitos Autorais (Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998), que teve por finalidade alterar, atualizar e consolidar a legislação sobre direitos autorais. A Constituição Federal já havia assegurado que “aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar” (CF, art. 5º, XXVII). Na lição de Cezar Roberto Bitencourt, direito autoral “consiste nos benefícios, vantagens, prerrogativas e direitos patrimoniais, morais e econômicos provenientes de criação artísticas, científicas, literárias e profissionais de seu criador, inventor ou autor”.[1] O direito autoral disciplina a atribuição de direitos relativos às obras literárias, científicas e artísticas, englobando o direito do autor e os chamados direitos conexos do direito de autor (direitos dos artistas, intérpretes ou executantes, dos produtores de fonogramas e dos organismos de radiodifusão).[2] De acordo com a referida Lei 9.610/98, os direitos autorais possuem a natureza jurídica de bens móveis (art. 3º). É considerado autor a pessoa física criadora de obra literária, artística ou científica (art. 11). Ao autor pertencem os direitos morais e patrimoniais sobre a obra que criou (art. 22), cabendo-lhe o direito exclusivo de utilizar, fruir e dispor da obra literária, artística ou científica (art. 28). Entretanto, os direitos de autor poderão ser total ou parcialmente transferidos a terceiros, por ele ou por seus sucessores, a título universal ou singular, pessoalmente ou por meio de representantes com poderes especiais, por meio de licenciamento, concessão, cessão ou por outros meios admitidos em Direito, obedecidas as seguintes limitações previstas no art. 49, da Lei 9.610/98. Os direitos de autor podem ser: (1) morais – como o de ter o seu nome na obra, estão previstos nos arts. 24 a 27 da Lei 9.610/98; e (2) patrimoniais – como os direitos de exploração exclusiva, previstos nos arts. 28 a 45 da mesma lei.

2. Classificação doutrinária

Trata-se de crime comum quanto ao sujeito ativo (aquele que pode ser praticado por qualquer pessoa), e crime próprio quanto ao sujeito passivo (somente pode ser o autor da obra literária, artística ou científica, bem como seus herdeiros e sucessores, ou qualquer outra pessoa titular do direito conexo ao de autor), plurissubsistente (costuma se realizar por meio de vários atos), comissivo (decorre de uma atividade positiva do agente “violar”) e, excepcionalmente, comissivo por omissão (quando o resultado deveria ser impedido pelos garantes – art. 13, § 2º, do CP), de forma livre (pode ser cometido por qualquer meio de execução), formal (se consuma sem a produção do resultado naturalístico, embora ele possa ocorrer), instantâneo (a consumação não se prolonga no tempo), monossubjetivo (pode ser praticado por um único agente), simples (atinge um único bem jurídico, a propriedade imaterial da vítima)".

viaseaventuras disse...

Que coisa feia Professor!!!

Marcelo Miguel disse...

Isso é um absurdo! Quando o senhor, "professor", vai retirar o texto e publicar uma nota se explicando? Uma grande vergonha!

Marcelo Miguel disse...

Isso é um absurdo! Quando o senhor, "professor", vai retirar o texto e publicar uma nota se explicando? Uma grande vergonha!

Lília Marianno disse...

Ele nem retirou minha menção a palestra que dei na MCA da PIB do Recreio e está na Primeira pessoa.

Anne and Frank disse...

Gente que se promove usando o trabalho dos outros é vergonhoso!
Esse, que se diz "professor", precisa de muita aula sobre ética.
Sem falar que se mostra uma completa fraude.
Muita vergonha deste tipo de gente convivendo em sociedade.

paulo santos disse...

Tome jeito "homem" valentinzinho

PENSANDO COM JEITO disse...

Querida amiga e irmã Lilia Mariano, é de cair a barba, uma situação dessa, que sujeito mais pilantra é esse, o cara não estudou ética metodologia cientifica, onde se aprende que é necessário colocar a fonte de pesquisa?. PILANTRA USURPADOR. Ainda bem que não terminou u curso de Teologia, senão teríamos que chama-lo de colega de Ministério. Não fica com peninha, meta um processo nele, só assim vais inibir os outros. Conheci um que no Seminário fez isso, apresentou o trabalho de um outro aluno do ano anterior, não mudou nem uma virgula, só a capa, infelizmente esse continua ai pregando dando palestras.

Adriana Azevedo disse...

Dicas de Educaçao, bate papo teológico, baseados em qual ética?