21 de ago de 2008

Amalgamação

AMALGAMAÇÃO: DECLARAÇÕES DE ELLEN G. WHITE
EM RELAÇÃO ÀS CONDIÇÕES
POR OCASIÃO DO DILÚVIO


Por Francis D. Nichol
(Adaptado de seu livro Ellen G. White and Her Critics, pp. 306-322)
No verão de 1864, o “Prelo a Vapor da Associação de Publicações dos Adventistas do
Sétimo Dia”, de Battle Creek, Michigan, publicou, de Ellen G. White, um volume de
trezentas páginas intitulado “Fatos Importantes da Fé em Conexão com a História dos
Homens Santos do Passado”. Esse foi o terceiro de uma série de quatro volumes cujo
título geral é Spiritual Gifts.
Nesta obra é apresentada a narrativa da história do princípio do mundo, começando com
“A Criação” e estendendo-se até a outorga da lei a Israel, sendo que estes assuntos,
como a autora declara no Prefácio, lhe foram mostrados em visão.
No capítulo 6, intitulado “A Criminalidade Antes do Dilúvio”, a Sra. White, ao descrever as
condições deploráveis que levaram à catastrófica destruição do mundo, fala sobre a
amalgamação de homens e animais. No capítulo seguinte, há uma outra referência
semelhante. Indagações ocasionais são feitas quanto ao que a Sra. White escreveu em
relação a isso e o que suas declarações queriam dizer, e por que elas não são
encontradas em suas obras posteriores que estão em circulação hoje. Algumas pessoas
relacionam as declarações sobre amalgamação com a lembrança de mitos antigos sobre
criaturas estranhas produzidas por uniões profanas entre seres humanos e animais, e
perguntam se as declarações de E. G. White não defendem essas fábulas. Insinuam
também que elas tendem rumo à evolução.
As únicas citações nos escritos da Sra. White que são de interesse em relação a isso,
encontram-se no livro Spiritual Gifts, volume 3, já mencionado, e foram republicadas no
Spirit of Prophecy, volume 1, em 1870. A primeira, no capítulo 6, “A Criminalidade Antes
do Dilúvio”, é esta:
“Mas se houve um pecado maior que qualquer outro que requereu a destruição da
raça humana pelo dilúvio, este foi o vil crime da amalgamação de homens e
animais, que desfigurou a imagem de Deus e causou confusão por toda parte.
Deus Se propôs a destruir por um dilúvio essa poderosa raça longeva que
corrompera seus caminhos diante dEle” Spiritual Gifts, vol.3, pág. 64.
O capítulo 7 intitula-se “O Dilúvio”, e contém a seguinte declaração:
“Todas as espécies de animais que Deus criara foram preservadas na arca. As
espécies confusas que Deus não criou, que eram resultado de amalgamação,
foram destruídas pelo dilúvio. Desde o dilúvio, tem havido amalgamação de
homens e animais, conforme pode ser visto nas quase infindas variedades de
espécies de animais, e em certas raças de homens”. Idem, pág. 75.
Essas são as únicas declarações da Sra. White sobre o assunto da amalgamação de
homens e animais.
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Exatamente o que a Sra. White queria dizer com estas passagens tem sido objeto de
algumas especulações no decorrer dos anos, e surgiram duas explicações. Alguns
afirmam que ela ensinou não apenas que homens e animais coabitaram, mas que houve
descendentes dessa relação. Porém, aqueles que sustentam essa idéia afirmam que isso
não apóia a teoria da evolução. A teoria da evolução depende da idéia de que estruturas
vivas pequenas e simples podem gradualmente evoluir para formas mais elevadas de
vida, gerando, finalmente, o homem.
O fato de que formas de vida relacionadas de maneira mais próxima ou menos próxima
podem se cruzar e produzir descendentes híbridos, não é questionado pelos criacionistas
hoje. O fato de muito tempo atrás, quando a virilidade era maior e as condições
possivelmente diferentes em alguns aspectos, formas mais diversas de vida poderem ter
se cruzado – como o homem e algumas espécies mais elevadas de animais – pode ser
apresentado apenas como uma suposição. Essa suposição, porém, evocou a oposição de
todo o peso da crença científica atual. Sem dúvida, os cientistas erram, às vezes, ao
pensar que todo o passado deva ser compreendido em termos dos processos que vemos
em andamento hoje.
Poderíamos deixar essa questão como estando além dos limites da investigação ou da
comprovação. A própria Bíblia contém algumas declarações deste tipo, como todo
estudante das Escrituras bem sabe. Mas há uma outra explicação para estas passagens
sobre amalgamação, que é bem fundamentada e, cremos, mais satisfatória, e que evita
qualquer conflito com os dados observáveis da ciência.
O que Significa a Palavra “Amalgamação”?
Primeiro, qual é o significado geral da palavra “amalgamação”? Ela é usada alguma vez
para descrever o ato depravado de coabitação de homem com animal? Nenhum
dicionário a que tivemos acesso, nem mesmo o exaustivo Oxford English Dictionary,
indica que o termo já foi usado alguma vez para descrever esse ato. Há uma outra
palavra no inglês padrão que pode corretamente ser usada para descrever tal coabitação.
O uso primário da palavra “amalgamação”, no decorrer dos anos, tem sido o descrever a
fusão de certos metais e, por extensão, denotar a fusão de raças humanas. Em meados
do século XIX, a palavra era comumente empregada nos Estados Unidos para descrever
o casamento entre a raça branca e a negra. 1
Estabelecido há muito tempo, o significado da palavra-chave “amalgamação” como a
mistura entre raças deveria ter um grande peso ao se determinar a interpretação das
citações questionadas.
Segundo, o teor geral dos escritos da Sra. White proporciona um forte testemunho contra
a afirmação de que ela está aqui procurando solenemente apresentar como fato algumas
histórias antigas sobre descendentes anormais da relação homem-animal. Seus escritos
não estão maculados por fábulas imaginárias do passado. Pelo contrário, eles são de
natureza bem realista. Se a autora tivesse sido uma sonhadora e visionária, ela teria,
freqüentemente, divertido seus leitores com mitos e histórias misteriosas da antiguidade.
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